É difícil encontrar um motorista, principalmente nas grandes cidades, que nunca tenha tido problemas com uma motocicleta no trânsito. Afinal, na pressa em realizar seu trabalho, muitos entregadores, os chamados motoboys, acabam se envolvendo em acidentes de trânsito. As conseqüências dessa “costura” diária entre filas de automóveis acabam provocando problemas que vão desde a simples irritação do motorista de automóvel até acidentes fatais.
Os números não deixam dúvidas sobre a gravidade da situação. Apenas na cidade de São Paulo, 270 motoqueiros morreram em acidentes em 2005, média de quase um por dia. Os números são 40% maiores em relação a 2004, segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). São números que sobem ano após ano, sem que nenhuma providência seja tomada.
É mais do que necessário acabar com essa guerra no trânsito. Não se trata aqui de defender os motoboys. Mas alguém já conseguiu imaginar se esse serviço fosse extinto? A dinâmica da economia, dos negócios e até do lazer — cito aqui os famosos entregadores de pizza — simplesmente levariam muito tempo para readaptar-se e desenvolver novos métodos de entrega eficientes e rápidos.
Não adianta tirar o bode da sala e declarar guerra aos motoboys. O que é necessário é estabelecer regras específicas de trânsito para evitar esse confronto diário nas ruas e aumentar a segurança dos profissionais. Hoje, em São Paulo, há 170 mil motoqueiros que atendem a 2,5 mil empresas. Desse total, pouco mais de 13 mil têm registro em carteira.
Há os maus motociclistas? Sim, assim como há os maus motoristas. Mas enquanto houver esse clima de guerra, todos sairão perdendo. Antes de mais nada, é necessário pensar na segurança do motociclista, impondo fiscalização e legislação rigorosos para quem desobedece normas de segurança, como o uso do capacete e o peso máximo permitido no transporte de carga. É também necessário fiscalizar as empresas de entrega e os autônomos, para evitar jornada excessiva de trabalho, que obriga os motociclistas a andarem cada vez mais rápido para cumprir todas as entregas, e educação no trânsito.
A fiscalização no trânsito também é muito importante. Pela lei, as motos estão sujeitas às mesmas regras e punições impostas aos automóveis. Se o motoqueiro “costura” no trânsito é porque não há uma fiscalização rigorosa nas ruas, que impeça a disputa por um pedaço no asfalto.
Enquanto não houver essa consciência, de todas as partes envolvidas, a guerra no trânsito não vai terminar. E quem sairá perdendo somos todos nós, sejam motoristas, motociclistas ou simplesmente pedestres.
*Alexandre Levorin Gerente da Unidade de Negócio Moto da Pneus Levorin.
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