Ocorrências policiais, guias de hospitalização e relatos dramáticos de familiares de jovens embriagados são cada vez mais frequentes. Algum controle sobre o consumo de bebidas alcoólicas por adolescentes em festas e reuniões tem sido possível, mas ainda é pouco. Entidades como o Sindicato Médico, Ministério Público, Sindicato do Ensino Privado, Polícia Civil, Secretaria Municipal da Indústria e Comércio, Brigada Militar, entre outras, em união de esforços, têm um protocolo de intenções que também envolve empresas promotoras de eventos. Todos firmaram o compromisso de realizar ações que dificultem ou impeçam a juventude de se embebedar.
Impedir o contato de crianças e adolescentes com o álcool é a meta. Não tem sido fácil a missão. Dezembro e janeiro reservam comemorações em sequência. Formaturas, Natal, Ano-Novo, veraneio e, neste país tropical, em fevereiro tem Carnaval. São ocasiões em que o interesse pela bebida e o descompromisso afastam nossos moços e moças das regras mais rígidas de conduta. Haja fiscalização para dar conta. Fiscalizar, reprimir e punir são tarefas que os signatários do protocolo procuram realizar com eficiência, mas os resultados não entusiasmam. Apesar das proibições da lei, ainda há quem ofereça, venda ou forneça gratuitamente bebida alcoólica à meninada.
O pior, no entanto, é o drible que alguns têm conseguido aplicar. Se vai ser proibido beber na festa, então se bebe antes dela. Em uma garagem qualquer, na casa de um dos integrantes da turma, algumas horas antes da festa, acontece uma lamentável reunião para beber. E não é pouca coisa, é bomba forte. Cachaça, vodca e energéticos são comuns. Fica todo mundo ligado no começo. Depois, a tonteira que antecede o coma. É pena, mas tem gente nova se destruindo, consumindo-se no álcool.
Não há dia sem denúncia de venda ilegal de bebidas alcoólicas a adolescentes. As de agora vêm de nossas praias. Vende-se qualquer coisa a quem quer que seja que se apresente com dinheiro diante dos balcões de alguns bodegueiros inescrupulosos. É crime.
Não é menos criminosa a atitude de se omitir. É de lamentar que existam pais permissivos. É pena que muitos deem ainda o péssimo exemplo de serem ébrios contumazes.
Não venceremos tão facilmente esse drama, enquanto admitirmos desvios para contornarem as leis, como nos jogos de futebol. Sendo proibido beber nas tribunas e arquibancadas, o que se vê é o triste espetáculo da beberagem nos bares externos. Preparam garrafões para beberem o mais que puderem antes de entrarem no estádio. Assim, ficam “prontos” de vez. A juventude faz o mesmo na chamada “concentração”, o destrutivo encontro preparatório das comemorações. Mais difícil que a repressão, é duro tentar conscientizar. Não se deve desistir, não podem perder a garra os que se uniram para tentar dar um basta a esse quadro horrendo.
As pessoas de bem, felizmente a maioria, desfraldarão uma nova bandeira, aposto: álcool, nem de longe!
Cláudio Brito, Jornalista. |