Se a ida para o Litoral já foi um estresse para muitos motoristas, o retorno – previsto para esta terça-feira – antecipa-se como um verdadeiro tormento para quem vai pegar a estrada nos horários de maior movimento. A crônica dos congestionamentos anunciados no Rio Grande do Sul, porém, não deverá ser muito diferente do que vai ocorrer em outros Estados, pois já é de conhecimento público que o sistema viário nacional não comporta mais a quantidade de veículos em circulação. Nas grandes cidades, os engarrafamentos são diários e já não se vê saída pela construção de novas rodovias, uma vez que as desapropriações envolveriam gastos insuportáveis para os cidadãos. Como, então, sair deste brete do trânsito brasileiro?
Em primeiro lugar, não há solução mágica. Mas parece evidente que as autoridades públicas e as lideranças políticas e empresariais precisam buscar alternativas diferenciadas às medidas que vêm sendo adotadas. Claro que a fiscalização deve ser mantida e intensificada, com orientação permanente e punição rigorosa para os infratores. Também é impositivo que as campanhas educativas e os alertas continuem sendo feitos, pois grande parte dos acidentes resulta da falta de educação e preparo dos condutores. Do mesmo modo, não podem os administradores públicos renunciar à sua obrigação de continuar buscando os caminhos possíveis, investindo em rotatórias, viadutos e obras cabíveis nos orçamentos de suas administrações.
Mas o desafio não é mais apenas dos governantes e das autoridades responsáveis pelo trânsito. É de todos. Só com o envolvimento de todos os setores da sociedade é que poderão ser adotadas alternativas inovadoras como, por exemplo, a mudança de horário do expediente em empresas para que os trabalhadores não necessitem se deslocar todos ao mesmo tempo, o que impõe sobrecarga ao transporte público e, consequentemente, o congestionamento das ruas. Já não há mais saída: ou buscamos as soluções compartilhadas ou todos acabaremos pagando o preço dos rodízios obrigatórios, dos pedágios em áreas centrais e de outras imposições.
Editorial Zero Hora. |