Depois de um recuo em 2009, a carnificina nas ruas, avenidas e rodovias do Rio Grande do Sul voltou a surpreender nos três primeiros meses deste ano. De janeiro a março, conforme dados do Departamento Estadual de Trânsito (Detran), os acidentes com morte aumentaram 9,9% em relação ao mesmo período do ano passado. Em contrapartida, nos primeiros meses de 2010, pelo menos 21,2 mil gaúchos deixaram de ser multados – uma queda de 4% nos índices de autuações.
A escalada no número de acidentes fatais com vítimas preocupa estudiosos, principalmente diante da tendência que começava a se desenhar com a implantação da Lei Seca, na metade de 2008. Comparado ao primeiro trimestre daquele ano, o saldo de mortes no trânsito chegou a cair 14,4% no mesmo período de 2009.
Estudiosos buscam explicações para a reviravolta indicada pelo levantamento do Detran. Para especialistas como João Fortini Albano, professor do Laboratório de Sistemas de Transportes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), e Mauri Panitz, consultor em engenharia de trânsito, a resposta não vem sozinha. Inclui desde falhas na fiscalização até o aumento da frota de veículos e a imperícia de novos motoristas.
Com o aumento do poder de consumo e facilidades cada vez maiores de financiamento, o mercado de veículos viencia um boom de março de 2009 para cá. Ruas e rodovias, porém, pouco mudaram. O fenômeno, cujo retrato mais visível são os congestionamentos, comuns em cidades como Porto Alegre, pode ter ligação, segundo pesquisadores, com o descontrole ao volante. Mas não é só isso.
– É preciso intensificar o controle, porque aquela turma que tinha parado de beber por causa da Lei Seca sentiu que podia retomar o hábito. Isso é um retrocesso – avalia Panitz.
Reforço na fiscalização
A conclusão é reforçada pelas estatísticas do site do Detran. O total de multas aplicadas nas vias municipais, estaduais e federais gaúchas havia aumentado 13% nos primeiros 90 dias de 2009, em relação a igual período de 2008. Neste trimestre, caiu 4% e por pouco não voltou ao patamar anterior à Lei Seca. Somente as autuações registradas pelo Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer) despencaram 25,2%.
Por trás disso resistem entraves burocráticos. Em dezembro, 77 lombadas eletrônicas ficaram inoperantes para a troca dos aparelhos, cuja substituição terminou apenas em fevereiro. Em março, os 70 pardais instalados nas rodovias estaduais enfrentaram problema semelhante devido ao fim do contrato de locação. Os equipamentos só deverão começar a ser substituídos hoje pela Kopp, empresa responsável pelo serviço, que ontem carregava seus caminhões com o material.
– O processo se alongou mais do que esperávamos, devido a demandas judiciais – explica Márcio Tassinari Stumpf, da Superintendência de Monitoramento de Trânsito do Daer.
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JULIANA BUBLITZ
Fonte: Zero Hora |